«2666 é um murro no estômago, um verdadeiro incêndio literário, como há muito tempo não se via nas livrarias de todo o mundo. Especialmente num século como o nosso, obcecado pela juventude eterna, pelo sucesso, pelo dinheiro fácil, pela fama, pela beleza física, pelos 15 minutos de fama. Num século XXI asfixiado pelo êxito fácil e pela literatura light, só um escritor com muita coragem poderia escrever algo que, à partida, parecia “invendável”.»
2666 foi o livro recomendado pela Biblioteca Mira Fernandes no blogue Biblioteca Porta Aberta.
«A leitura dos textos de Bolaño me causam uma certa melancolia. O prazer estético supera a melancolia, mas tenho que ser sincera e assumir a tristeza que me toma. Por vezes, sinto que ele traz a completa falta de sentido da vida e coloca isto na frente do leitor. O que importa, porém, o que sinto? A leitora abandona os sentimentos para colocar a mirada na literatura, só que Roberto Bolaño é tão estupendo que a manobra fica difícil.»
Do outro lado do Atlântico, escreve Gerana Damulakis, uma leitora crítica de Roberto Bolaño.
João Ventura, o leitor sem qualidades, questiona a euforia criada em torno de Roberto Bolaño em mais um post dedicado ao autor de 2666.
A propósito do Senhor Palomar, no blogue How.Now fala-se da edição portuguesa de 2666.
You might not know, but Portugal has been going crazy lately because 2666 was recently published in the tongue for the first time. They even threw a festa/dança for the lançamento of the book in portuguese, which I thought was kinda fun. Why don’t we have a dance party every time a new translation of Murakami comes out?
Três textos de três resistentes ao entusiasmo que se gerou em torno da publicação de 2666: Eurico de Barros, no Diário de Notícias, João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos, e Ana de Amsterdam. Comentários aos dois primeiros por José Mário Silva, Francisco José Viegas e Senhor Palomar.
José Mário Silva publicou no blogue o texto sobre O homem que escreveu 2666, publicado na edição de 19 de Setembro no Expresso e ilustrou-o com uma fotografia inspirada (como sempre, aliás, de Daniel Mordzinski).
Não é só o livro propriamente dito que tem uma tiragem especial. O lançamento de logo à noite tem uma versão alternativa do convite desenhada pelo talentoso ilustrador e DJ irmaolucia.
A propósito da sua vida, Isabel Coutinho publica no seu blogue algumas palavras de Roberto Bolaño, em 1999, no Discurso de Caracas (lido no momento da atribuição do prémio Rómulo Gallegos):
“¿Entonces qué es una escritura de calidad? Pues lo que siempre ha sido: saber meter la cabeza en lo oscuro, saber saltar al vacío, saber que la literatura básicamente es un oficio peligroso. Correr por el borde del precipicio: a un lado el abismo sin fondo y al otro lado las caras que uno quiere, las sonrientes caras que uno quiere, y los libros, y los amigos, y la comida. Y aceptar esa evidencia aunque a veces nos pese más que la losa que cubre los restos de todos los escritores muertos. La literatura, como diría una folclórica andaluza, es un peligro.”
Milton Ribeiro lê 2666, numa edição comprada no Uruguai. E, mesmo assim, este leitor de Roberto Bolaño ainda consegue ler este blogue e muito amavelmente lincá-lo.
Temos pena que não possa estar no lançamento. Só faltam 8 dias.
Ainda em Agosto, antes da criação deste blogue, Safaa Dib escreveu sobre a edição portuguesa de 2666. Safaa sabe que «serão muito poucos os que lerão a obra monumental de Bolãno», sabe que «a editora não pretende que 2666 seja para qualquer leitor». Mas não sabe dizer se 2666 pode vir a ser «um sucesso entre a crítica em paralelo com uma significativa adesão das massas que desejem ler o livro».
«O lançamento de “2666″ está programado para o dia 26 de Setembro com um evento a realizar na LXFactory, em Lisboa. Nesta festa de lançamento será vendida uma edição especial de “2666″.
Cada exemplar será impresso num papel diferente (de diversas cores) e terá uma sobrecapa que não constará das edições que irão para as livrarias. não haverá dois exemplares iguais. A festa continuará depois pela noite dentro no Music Box, no Cais do Sodré, e o DJ será o ilustrador Pedro Vieira (do blog irmaolucia).»
Isabel Coutinho já publicou no blogue a crónica Ciberescritas de sexta-feira passada. Pode ser lida na íntegra aqui.

Francisco José Viegas fala no Origem das Espécies dos pins de Roberto Bolaño. Para usar & coleccionar, a partir de 26 de Setembro.
«Leio em casa, no trabalho, nas viagens de autocarro, na casa-de-banho, enquanto cozinho e almoço, enquanto espero pela sessão de cinema, enquanto o sono não vem e nada. Nunca mais o acabo. Leio, leio e leio e continuo a ler.»
Para seguir no blogue Absurdo a leitura que Eduarda Sousa está a fazer de 2666 - na edição espanhola.
Sacrofobia – medo ou aversão ao sagrado, aos objectos sagrados
Gefirofobia – medo de atravessar pontes
Claustrofobia – medo dos espaços fechados
Agorafobia – medo dos espaços abertos
Necrofobia – medo dos mortos
Hematofobia – medo do sangue
Pecatofobia – medo de cometer pecados
Clinofobia – medo das camas
Tricofobia – medo do cabelo
Verbofobia – medo das palavras
Vestiofobia – medo da roupa
Iatrofobia – medo dos médicos
Ginefobia – medo da mulher
Ombrofobia – medo da chuva
Talassofobia – medo do mar
Antofobia – medo das flores
Dendrofobia – medo das árvores
Optofobia – medo de abrir os olhos
Pedifobia – medo das crianças
Balistofobia – medo das balas
Tropofobia – medo de mudar de situação ou lugar
Agirofobia – medo das ruas ou de atrevessar uma rua
Cromofobia – medo de certas cores
Nictofobia – medo da noite
Ergofobia – medo do trabalho
Decidofobia – medo de tomar decisões
Antropofobia – medo das pessoas
Astrofobia – medo dos fenómenos meteorológicos
Pantofobia – medo de tudo
Fobofobia – medo dos próprios medos
À lista que Roberto Bolaño enumera num diálogo entre um polícia e um directo de manicómio, José Mário Silva acrescenta a 2666fobia: o medo de não acabar o livro de Roberto Bolaño.
«Encontramos os amigos todos em 2666, é como ir ao café do bairro.» Rogério Casanova está a ler 2666, na edição da Quetzal (tradução de Cristina Rodriguez e Artur Guerra) e publica em primeira mão um excerto do livro.

No Hoje há conquilhas, Tomás Vasques escreve sobre o Primeiro Encontro de Escritores Latino-Americanos, em Sevilha, promovido pela editora Seix Barral, onde se encontraram doze escritores para falarem da nova geração literária latino-americana. Roberto Bolaño era um deles: não terminou a tempo o texto «Sevilha me mata» em que respondia à questão: de onde vem a nova literatura Latino-americana? Foi o seu último texto e, por isso, é apontado como o seu testamento literário.
«Distante do modelo prêt‑à‑porter do «realismo mágico» (fórmula de marketing muito divulgada entre nós, e não só), a obra de Bolaño é de uma exigência sem concessões ao nível da forma e da linguagem, optando, regra geral, por uma estrutura polifónica e reiterativa, que lhe permite construir cada livro como um mosaico. As peças organizam‑se aos poucos, à medida que a leitura decorre, mas sempre solicitando a releitura, estratégia essencial para se aceder à multiplicidade de sentidos que os seus livros, pontuados por um humor subtil, propõem.»
A opinião de João Paulo Sousa sobre a escrita de Roberto Bolaño no Da Literatura, em Janeiro de 2008.