«Quando se começa a ler, damo-nos conta de que é qualquer coisa de novo que está ali, uma espécie de “livro sobre todos os livros”, muito à maneira de Borges, mas rompendo com aquele tom do “mágico latino-americano”. De alguma maneira, se Macondo é o lugar fundador de uma parte dessa literatura, Santa Teresa [a cidade do romance de Bolaño] é o fim de toda a inocência, é a cidade onde o fantástico passa a ser épico.»
Francisco José Viegas sobre 2666, em declarações ao Actual/Expresso.
José Mário Silva publicou no blogue o texto sobre O homem que escreveu 2666, publicado na edição de 19 de Setembro no Expresso e ilustrou-o com uma fotografia inspirada (como sempre, aliás, de Daniel Mordzinski).
Não é só o livro propriamente dito que tem uma tiragem especial. O lançamento de logo à noite tem uma versão alternativa do convite desenhada pelo talentoso ilustrador e DJ irmaolucia.
A propósito da sua vida, Isabel Coutinho publica no seu blogue algumas palavras de Roberto Bolaño, em 1999, no Discurso de Caracas (lido no momento da atribuição do prémio Rómulo Gallegos):
“¿Entonces qué es una escritura de calidad? Pues lo que siempre ha sido: saber meter la cabeza en lo oscuro, saber saltar al vacío, saber que la literatura básicamente es un oficio peligroso. Correr por el borde del precipicio: a un lado el abismo sin fondo y al otro lado las caras que uno quiere, las sonrientes caras que uno quiere, y los libros, y los amigos, y la comida. Y aceptar esa evidencia aunque a veces nos pese más que la losa que cubre los restos de todos los escritores muertos. La literatura, como diría una folclórica andaluza, es un peligro.”
O texto de José Riço Direitinho sobre Roberto Bolaño, publicado hoje no Ípsilon, já está online.
Nem A Bola quer passar ao lado do grande acontecimento literário do ano.
Acredita que «2666» foi determinante para impulsionar as obras de Bolaño no Mundo?
Com toda a certeza. «2666» criou uma onde de bolañomania, uma espécie de mitologia literária moderna que reposiciona a literatura sem a encher do adjectivo «latino-americana», reinventando o grande romance, anunciando que ele (o romance) não morreu nem pode morrer – porque todos temos não só necessidade de contar histórias mas, também, de ouvir histórias sobre outras histórias, sobre o mundo mais obscuro, sobre sexo, sobre literatura, sobre amor, sobre desilusão.
Francisco José Viegas fala enquanto editor ao Diário Digital. A entrevista na íntegra aqui.
Daqui a vinte e quatro horas, na Ler Devagar da Lx Factory, estão disponíveis pouco mais de uma centena de exemplares de uma tiragem especial. Foram impressos em papéis de gramagens e cores diferentes, dispostos aleatoriamente. E sobre a capa da edição normal, esta:
José Mário Silva publicou no Bibliotecário de Babel o texto que escreveu para o actual sobre 2666.
«[2666] questiona a ideia do que é um romance e do que deve ser a relação com o leitor - muitas vezes francamente desorientado pelo caminho, honestamente perplexo com a «mensagem», agudamente incomodado com a violência ou com as derivas de Bolaño, que começa um tema para subitamente se lançar, como que caído num alçapão em páginas habitadas por outras histórias.»
Sílvia Souto Cunha, na Visão, edição de 14 de Setembro.
O texto começa assim: «O argentino Jorge Luís Borges, que Roberto Bolaño tanto admirou, dizia que o amor é uma religião organizada em torno de um deus falível. Talvez se possa dizer o mesmo a propósito da literatura. Ou da violência. Ou do sexo. Estão todos presentes em 2666.»

A partir das 23h00, na Ler Devagar | Lx Factory. Haverá margaritas e acepipes temáticos. Haverá uma edição especial, de tiragem reduzida, em que cada exemplar é único. Haverá a edição normal. Haverá leituras: António Pedro Vasconcelos, José Mário Silva, Carla Bolito, José Eduardo Agualusa, Soraia Chaves, Tiago Gomes e Carlos Vaz Marques. E depois, a partir da uma e meia, o DJ irmaolucia afina o rock pelo 2666 no MusicBox. A entrada é facilitada a quem comprar o livro durante o lançamento.
É o título do texto da Ana Gomes Ferreira, para se ler em papel na edição* que amanhã chega às bancas, e onde escreve: «há tanto dentro de 2666 que dizer que é só um romance é o mesmo que dizer que o Empire State Building é uma casinha» e conclui «se
acontecer como em Espanha e nos EUA, esse contágio vai dar origem a uma nova palavra: bolañomania.»
* e não é uma edição qualquer, mas o especialíssimo número em que se comemora o segundo aniversário da revista.
O texto de onde tirámos este excerto é publicado nas páginas dedicadas pelo Jornal de Letras num especial que junta Roberto Bolaño e Stieg Larsson. A partir de amanhã nas bancas.
O tema da edição do suplemento Actual do jornal Expresso «O homem que escreveu 2666». Um texto de José Mário Silva explica como Roberto Bolaño era apenas conhecido num grupo restrito onde era visto como um herdeiro legítimo de Borges e Cortázar e como 2666 lhe «escancarou as portas de uma glória póstuma». Mais adiante, nas páginas de crítica, fala-se das «mais de mil páginas, geniais e magnéticas» deste livro que cria de novo a realidade, reinventa-a, explora-lhe os limites.
A notícia é da edição de terça-feira, do El Mundo. As mulheres de Ciudad Juárez (em que Roberto Bolaño ser terá inspirado para a criação de Santa Teresa, o lugar de todos os crimes de 2666) pintam cruzes numa parede com fundo rosa. Estão revoltadas com a falta de medidas e de resultados em relação à criminalidade na povoação: «El problema más serio es que siguen existiendo mujeres y siguen desapareciendo mujeres, y continúa el crimen»
Milton Ribeiro lê 2666, numa edição comprada no Uruguai. E, mesmo assim, este leitor de Roberto Bolaño ainda consegue ler este blogue e muito amavelmente lincá-lo.
Temos pena que não possa estar no lançamento. Só faltam 8 dias.
Ainda em Agosto, antes da criação deste blogue, Safaa Dib escreveu sobre a edição portuguesa de 2666. Safaa sabe que «serão muito poucos os que lerão a obra monumental de Bolãno», sabe que «a editora não pretende que 2666 seja para qualquer leitor». Mas não sabe dizer se 2666 pode vir a ser «um sucesso entre a crítica em paralelo com uma significativa adesão das massas que desejem ler o livro».
«O lançamento de “2666″ está programado para o dia 26 de Setembro com um evento a realizar na LXFactory, em Lisboa. Nesta festa de lançamento será vendida uma edição especial de “2666″.
Cada exemplar será impresso num papel diferente (de diversas cores) e terá uma sobrecapa que não constará das edições que irão para as livrarias. não haverá dois exemplares iguais. A festa continuará depois pela noite dentro no Music Box, no Cais do Sodré, e o DJ será o ilustrador Pedro Vieira (do blog irmaolucia).»
Isabel Coutinho já publicou no blogue a crónica Ciberescritas de sexta-feira passada. Pode ser lida na íntegra aqui.
As Livrarias Bertrand oferecem um notebook e a Wook uma T-shirt. Tudo para as primeiras reservas.
José Mário Silva, o Bibliotecário de Babel, terminou a leitura de 2666. E sobreviveu.
Carlos Vaz Marques responde numa caixa de comentários:
«Se tivesse de escolher «o» tema de 2666 diria sem dúvida que é um romance sobre a loucura. Que está por todo o lado, do princípio ao fim. Explícita, obsessiva, ameaçadora.»
Leituras em voz alta, pins que podem abrir portas, uma edição especial, exemplares únicos: no Diário Digital, o jornalista Pedro Justino Alves sintetiza a informação disponível sobre o lançamento de 2666. Para marcar na agenda: o encontro é às 23h00 de dia 25, na Ler Devagar | Lx Factory.

«Viver neste deserto, pensou Lalo Cura enquanto o carro conduzido por Epifanio se afastava do descampado, é como viver no mar. A fronteira entre Sonora e o Arizona é um grupo de ilhas fantasmagóricas ou encantadas. As cidades e as aldeias são barcos. O deserto é um mar interminável. Este é um bom sítio para os peixes, sobretudo para os peixes que vivem nas fossas mais profundas, não para os homens.»
José Mário Silva publicou um excerto, tirado directamente da página 642.

Em Soldados de Salamina o escritor Roberto Bolaño, enquanto personagem, fala às tantas dos seus amigos sul-americanos que desapareceram, embora continuem a existir porque ele se lembra deles e escreve sobre eles. Agora é a própria memória de Bolaño, que entretanto morreu, que está defendida no seu livro. Os ficcionistas têm um dever da memória?
Claro. Porque a literatura é memória. A literatura o que faz é resgatar os mortos. Há um poema de Thomas Hardy sobre a segunda morte, a morte definitiva, que é quando já não existe ninguém que se lembre de nós. Pois a literatura é uma batalha para que essa segunda morte não aconteça. É como Orfeu buscando Eurídice no inferno. É arrancar os mortos à morte. E é também como se os mortos se agarrassem a nós com todas as forças, para não morrer de vez. A literatura não pode ser outra coisa a não ser isto. Uma batalha contra o esquecimento, contra a morte. Porque as palavras não morrem. Porque a linguagem não morre.
A pergunta é de José Mário Silva, a resposta de Javier Cercas. A entrevista - a propósito do livro Soldados de Salamina (Asa, 2006)- publicada no suplemento 6.ª do Diário de Notícias, a 10 de Março de 2006]

Francisco José Viegas fala no Origem das Espécies dos pins de Roberto Bolaño. Para usar & coleccionar, a partir de 26 de Setembro.
Ontem. Com a tradução de Os Detectives Selvagens e um colóquio em Pequim. A notícia aqui.