Quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

Ainda em Agosto, antes da criação deste blogue, Safaa Dib escreveu sobre a edição portuguesa de 2666. Safaa sabe que «serão muito poucos os que lerão a obra monumental de Bolãno», sabe que «a editora não pretende que 2666 seja para qualquer leitor». Mas não sabe dizer se 2666 pode vir a ser «um sucesso entre a crítica em paralelo com uma significativa adesão das massas que desejem ler o livro».



por 2666 às 23:20
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Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

«O lançamento de “2666″ está programado para o dia 26 de Setembro com um evento a realizar na LXFactory, em Lisboa. Nesta festa de lançamento será vendida uma edição especial de “2666″.

 

Cada exemplar será impresso num papel diferente (de diversas cores) e terá uma sobrecapa que não constará das edições que irão para as livrarias. não haverá dois exemplares iguais. A festa continuará depois pela noite dentro no Music Box, no Cais do Sodré, e o DJ será o ilustrador Pedro Vieira (do blog irmaolucia).»

 

Isabel Coutinho já publicou no blogue a crónica Ciberescritas de sexta-feira passada. Pode ser lida na íntegra aqui.



por 2666 às 23:50
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Terça-feira, 15 de Setembro de 2009

Banner Home 2666

 

 As Livrarias Bertrand oferecem um notebook e a Wook uma T-shirt. Tudo para as primeiras reservas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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por 2666 às 23:49
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Anúncio por 2666

José Mário Silva, o Bibliotecário de Babel, terminou a  leitura de 2666. E sobreviveu.


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Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

Carlos Vaz Marques responde numa caixa de comentários:

 

«Se tivesse de escolher «o» tema de 2666 diria sem dúvida que é um romance sobre a loucura. Que está por todo o lado, do princípio ao fim. Explícita, obsessiva, ameaçadora.»


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por 2666 às 23:19
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Lançamento por 2666

Leituras em voz alta, pins que podem abrir portas, uma edição especial, exemplares únicos: no Diário Digital, o jornalista Pedro Justino Alves sintetiza a informação disponível sobre o lançamento de 2666. Para marcar na agenda: o encontro é às 23h00 de dia 25, na Ler Devagar | Lx Factory.



por 2666 às 23:11
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O deserto é um mar interminável por 2666

 

«Viver neste deserto, pensou Lalo Cura enquanto o carro conduzido por Epifanio se afastava do descampado, é como viver no mar. A fronteira entre Sonora e o Arizona é um grupo de ilhas fantasmagóricas ou encantadas. As cidades e as aldeias são barcos. O deserto é um mar interminável. Este é um bom sítio para os peixes, sobretudo para os peixes que vivem nas fossas mais profundas, não para os homens.»

 

José Mário Silva publicou um excerto, tirado directamente da página 642.


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por 2666 às 02:15
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A literatura o que faz é resgatar os mortos. por 2666

 

 

Em Soldados de Salamina o escritor Roberto Bolaño, enquanto personagem, fala às tantas dos seus amigos sul-americanos que desapareceram, embora continuem a existir porque ele se lembra deles e escreve sobre eles. Agora é a própria memória de Bolaño, que entretanto morreu, que está defendida no seu livro. Os ficcionistas têm um dever da memória?
Claro. Porque a literatura é memória. A literatura o que faz é resgatar os mortos. Há um poema de Thomas Hardy sobre a segunda morte, a morte definitiva, que é quando já não existe ninguém que se lembre de nós. Pois a literatura é uma batalha para que essa segunda morte não aconteça. É como Orfeu buscando Eurídice no inferno. É arrancar os mortos à morte. E é também como se os mortos se agarrassem a nós com todas as forças, para não morrer de vez. A literatura não pode ser outra coisa a não ser isto. Uma batalha contra o esquecimento, contra a morte. Porque as palavras não morrem. Porque a linguagem não morre.

 

A pergunta é de José Mário Silva, a resposta de Javier Cercas. A entrevista - a propósito do livro Soldados de Salamina (Asa, 2006)- publicada no suplemento 6.ª do Diário de Notícias, a 10 de Março de 2006]

 


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por 2666 às 01:05
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Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009
Um Bolaño ao peito. por 2666

 

Francisco José Viegas fala no Origem das Espécies dos pins de Roberto Bolaño. Para usar & coleccionar, a partir de 26 de Setembro.


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por 2666 às 12:07
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Roberto Bolaño chegou à China. por 2666

Ontem. Com a tradução de Os Detectives Selvagens e um colóquio em Pequim. A notícia aqui.

 

 


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por 2666 às 11:53
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Este blogue veio no jornal. por 2666


 

Isabel Coutinho, no Ciberescritas de hoje, fala de 2666. E diz:

 

«Na Book Expo America 2007 quase não se falava de outra coisa além e este acabou por ser considerado por muitos como livro do ano nos EUA. Por cá é muito provável que essa euforia à volta de Bolaño se repita com a publicação da obra (...).»

 

 


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por 2666 às 10:57
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O primeiro vídeo da edição portuguesa: por 2666

Publicado pela primeira vez pelo Senhor Palomar e reproduzido depois pelo Bibliotecário de Babel, Cadeirão Voltaire, Ciberescritas e Blogtailors

 

Já lá vão quase dois meses e já só faltam catorze dias.


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por 2666 às 01:46
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Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009
Eduarda Sousa, Bolaño, medo e cinema por 2666

«Leio em casa, no trabalho, nas viagens de autocarro, na casa-de-banho, enquanto cozinho e almoço, enquanto espero pela sessão de cinema, enquanto o sono não vem e nada. Nunca mais o acabo. Leio, leio e leio e continuo a ler.»

 

Para seguir no blogue Absurdo a leitura que Eduarda Sousa está a fazer de 2666 - na edição espanhola.

 


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por 2666 às 16:50
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Com um aperto no coração. por 2666

 

 

«A pior coisa que se poderá dizer de um escritor é que não tem mundo. Já li muitos livros assim: a linguagem é perfeita, as metáforas são precisas, há silepses voluntárias, adjectivos inesperados, comparações maravilhosas, e personagens que racionalizam o que não deveria poder ser racionalizado; fazem-no com brilhantismo, tal como o autor brilhantemente ordena as palavras no papel, constituindo uma mónada quase perfeita. E, depois, o livro é igual a coisa nenhuma, porque nada nos diz sobre a precaridade, violência e beleza das nossas vidas. Sempre que, nos últimos tempos, abro um livro onde se lê na capa, em letras maiúsculas: romance, e encontro mais um escritor determinado a abrir outro guichet vanguardista pós-moderno, determinado a ser (muito) mais inteligente do que o leitor, a querer demonstrar tudo sem nos mostrar nada, torno a fechá-lo imediatamente: lições de filosofia disfarçadas de literatura não me interessam, da mesma maneira que não me interessa filosofia de pacotilha disfarçada de romance. E depois li "Os Detectives Selvagens", descobri Roberto Bolaño, e apaixonei-me outra vez pelos livros. Abri-lhe um lugar muito especial na estante, varrendo quase todos os outros autores que lá se encontravam para o chão. Bolaño não só tem mundo – o mundo inteiro como nos sorri, pisca o olho, e convida a entrar."Os Detectives Selvagens" é um livro grande, de 577 páginas na edição da Picador, e devora-se com voracidade incontrolável. É brutal, belo e enigmático, como a literatura devia ser. Da vida inquieta de Bolaño e da sua escrita tão carnal e tão inteligente na sua exultante demonstração de simplicidade tira-se uma conclusão apenas: os livros podem mudar a nossavida. Assim, reconciliei-me com os escritores: Bolaño é suficientemente grande para os redimir a todos.2666 com um aperto no coração, sabendo que essa obra será a última.

 

Fica aqui um dos meus excertos preferidos de "Os Detectives Selvagens, quando María Font encontra Ulises Lima e Arturo Belano (os detectives selvagens...) depois de estes regressarem do deserto de Sonora...


They shrugged their shoulders. Who knows, María, they said. I'd never seen them look so beautiful. I know it sounds silly to say, but they'd never seemed so beautiful, so seductive. Although they weren't trying to be. In fact, they were dirty, who knows how long it'd been since they'd showered, how long since they'd slept, they had circles under their eyes, and they needed to shave (not Ulises, because he never had to shave), but I would've kissed them both, I don't know why I didn't, I would've gone to bed with them both, fucked them until we passed out, then watched them sleep and afterward kept fucking. I thought: if we find a hotel, if we're in a dark room, if we have all the time in the world, if I undress them and they undress me, everything will be all right, my father's madness, the lost car, the sadness and energy I felt and that at moments seemed about to choke me. But I didn't say a word.»

 

João Tordo sobre Roberto Bolaño.


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por 2666 às 12:01
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Um linque do Brasil. por 2666

Após o seu desaparecimento, manuscritos, cadernos, diários e dezenas de originais que parecem procriar em geraçao espontânea vêm aparecendo e sendo editados. Alguns recém-descobertos e a serem editados em breve são «El Tercer Reich», «Diorama» e «Los sinsabores del verdadero policía» o Asesinos de Sonora.O mais caudaloso deles é 2666 lançado em espanhol em 2004 e traduzido para o inglês em 2008, quando foi eleito um dos principais livros do ano por vários veículos e listas, ganhando no começo de 2009 o National Book Critics Circle Award, além de outros prêmios, como o Herralde, o da Fundación Lara, o Salambó, o Ciudad de Barcelona, o Santiago de Chile ou o Altazor.

O romance de mais de mil páginas, dividido em cinco partes que o autor gostaria de ter visto editadas separadamente, gira em torno dos assassinatos não esclarecidos e com requintes de crueldade de centenas de mulheres numa cidade fictícia que emula a mexicana Ciudad Juárez, no México, hoje uma das mais violentas do mundo por conta da força do narcotráfico lá estabelecido.

 

Do texto de Bruno Dorigatti «Roberto Bolaño, cada vez mais próximo do cânone» no Portal Literal, onde se linca para este blogue.  

 


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por 2666 às 11:51
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Roberto Bolaño lido pelos seus leitores por 2666

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Terça-feira, 8 de Setembro de 2009
Entre a página 439 e a 441 por 2666

 

Sacrofobia – medo ou aversão ao sagrado, aos objectos sagrados
Gefirofobia – medo de atravessar pontes
Claustrofobia – medo dos espaços fechados
Agorafobia – medo dos espaços abertos
Necrofobia – medo dos mortos
Hematofobia – medo do sangue
Pecatofobia – medo de cometer pecados
Clinofobia – medo das camas
Tricofobia – medo do cabelo
Verbofobia – medo das palavras
Vestiofobia – medo da roupa
Iatrofobia – medo dos médicos
Ginefobia – medo da mulher
Ombrofobia – medo da chuva
Talassofobia – medo do mar
Antofobia – medo das flores
Dendrofobia – medo das árvores
Optofobia – medo de abrir os olhos
Pedifobia – medo das crianças
Balistofobia – medo das balas
Tropofobia – medo de mudar de situação ou lugar
Agirofobia – medo das ruas ou de atrevessar uma rua
Cromofobia – medo de certas cores
Nictofobia – medo da noite
Ergofobia – medo do trabalho
Decidofobia – medo de tomar decisões
Antropofobia – medo das pessoas
Astrofobia – medo dos fenómenos meteorológicos
Pantofobia – medo de tudo
Fobofobia – medo dos próprios medos

 

À lista que Roberto Bolaño enumera num diálogo entre um polícia e um directo de manicómio, José Mário Silva acrescenta a 2666fobia: o medo de não acabar o livro de Roberto Bolaño.


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Segunda-feira, 7 de Setembro de 2009
Um sonho. por 2666

O segundo melhor de 2666, na opinião de Rogério Casanova.

 

«Amalfitano sonhou que via aparecer num pátio de mármore cor-de-rosa o último filósofo comunista do século XX. Falava em russo. Ou melhor dizendo: cantava uma canção em russo enquanto o seu corpanzil se deslocava, fazendo esses, em direcção a um conjunto de majólicas listadas de vermelho intenso que sobressaía no plano regular do pátio como uma espécie de cratera ou latrina. (...) Quando o último filósofo do comunismo já estava finalmente a chegar à cratera ou à latrina, Amalfitano descobria com estupefacção que se tratava nem mais nem menos de Boris Yeltsin. É este o último filósofo do comunismo? Em que espécie de louco me estou a transformar se sou capaz de sonhar disparates? O sonho, contudo, estava em paz com o espírito de Amalfitano. Não era um pesadelo. Além disso, proporcionava-lhe uma espécie de bem-estar leve como uma pena. Então Boris Yeltsin olhava para Amalfitano com curiosidade, como se fosse Amalfitano a irromper no seu sonho e não ele no sonho de Amalfitano. E dizia-lhe: escuta as minhas palavras com atenção, camarada. Vou explicar-te qual é a terceira perna da mesa humana. Eu vou explicar-te. E depois deixa-me em paz. A vida é procura e oferta, ou oferta e procura, tudo se limita a isso, mas assim não se pode viver. É necessária uma terceira perna para que a mesa não caia nas lixeiras da História, que por sua vez está permanentemente a desmoronar-se nas lixeiras do vazio. Por isso toma nota. A equação é esta: oferta + procura + magia. E o que é a magia? Magia é épica e também é sexo, e bruma dionísiaca e jogo. E depois Yeltsin sentava-se na cratera ou latrina, mostrava a Amalfitano os dedos que lhe faltavam e falava da sua infância, e dos Urales, e da Sibéria, e de um tigre branco que errava pelos infinitos espaços nevados. Seguidamente tirava uma garrafa de vodka da algibeira e dizia:

 

- Creio que está na hora de beber um copinho.»

 

2666, de Roberto Bolaño, pp. 267-268


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por 2666 às 09:08
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Sonhos e livros que transformam leitores. por 2666

 

Publicado em Março de 2008, em Espanha, pela Editorial Candaya, este livro sobre Roberto Bolaño trazia um DVD com um documentário sobre o autor. Roberto Cercano (Roberto de Perto, em português) realizado por Erik Haasnoot. Vale a pena ver esta primeira parte onde Lautaro, seu filho mais velho, lê um texto onde se fala de sonhos - uma dos temas mais perturbantes do 2666. E também o comentário de Enrique Vila-Matas depois do relato que  Bolaño faz dos efeitos de «La Asesina Ilustrada»: essa ideia de há livros que podem mudar para sempre a nossa relação com a literatura.


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Sábado, 5 de Setembro de 2009
Café do bairro. por 2666

«Encontramos os amigos todos em 2666, é como ir ao café do bairro.» Rogério Casanova está a ler 2666, na edição da Quetzal (tradução de Cristina Rodriguez e Artur Guerra) e publica em primeira mão um excerto do livro.


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Um entre doze por 2666

 

No Hoje há conquilhas, Tomás Vasques escreve sobre o Primeiro Encontro de Escritores Latino-Americanos, em Sevilha, promovido pela editora Seix Barral, onde se encontraram doze escritores para falarem da nova geração literária latino-americana. Roberto Bolaño era um deles: não terminou a tempo o texto «Sevilha me mata» em que respondia à questão: de onde vem a nova literatura Latino-americana? Foi o seu último texto e, por isso, é apontado como o seu testamento literário.


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Quinta-feira, 3 de Setembro de 2009
«Rigorosamente literário e rigorosamente informal, ao mesmo tempo» por 2666

 

«Ninguém melhor do que Roberto Bolaño para descrever o hilariante e improvável triunfo de Roberto Bolaño. O que é uma pena porque ele está morto. No momento da sua morte, em 2003, Bolaño era um dos grandes escritores de língua espanhola, mas virtualmente desconhecido e ainda não traduzido para inglês. Não é difícil de perceber que assim tenha sido. Bolaño era um escritor difícil, zangado e auto-reflexivo que levava uma vida errática e ocasionalmente infeliz.»

 

Mais sobre Roberto Bolaño, 2666 e como este seu livro póstumo se tornou no melhor livro de 2008, na Time, para ler aqui.

 


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Quarta-feira, 2 de Setembro de 2009
Um mosaico em cinco partes. por 2666

«Distante do modelo prêt­‑à­‑porter do «realismo mágico» (fórmula de marketing muito divulgada entre nós, e não só), a obra de Bolaño é de uma exigência sem concessões ao nível da forma e da linguagem, optando, regra geral, por uma estrutura polifónica e reiterativa, que lhe permite construir cada livro como um mosaico. As peças organizam­‑se aos poucos, à medida que a leitura decorre, mas sempre solicitando a releitura, estratégia essencial para se aceder à multiplicidade de sentidos que os seus livros, pontuados por um humor subtil, propõem.»

 

A opinião de João Paulo Sousa sobre a escrita de Roberto Bolaño no Da Literatura, em Janeiro de 2008.

 

 


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por 2666 às 15:49
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Setembro é mês de 2666. por 2666

Primeiro que tudo, 2666, de Bolaño. Segundo, 2666, de Bolaño. Terceiro,...

Quem o diz, é o Senhor Palomar, directamente da sua casa nova.


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por 2666 às 01:06
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Nunca se acaba de ler, ainda que os livros acabem por 2666

 

 

 

«Há uns dias, telefonou-me Horácio Castellanos Moya para me dizer que Bolaño estava hospitalizado, doente do fígado, grave, tu não lhe mandes os teus livros porque o camarada está muito mal, disse-me. De facto, já tinha dois exemplares empacotados e prontos para lhe enviar para a sua residência em Blanes, acompanhados de uma breve carta, escrita à mão, solicitando-lhe a sua participação neste manuscrito. Hoje de madrugada [14 de Julho de 2003], Roberto Bolaño faleceu.


Como uma espécie de pêsames literários, ou coisa parecida, transportei vários dos seus livros comigo durante todo o dia. Haverá melhor maneira de nos despedirmos de um amigo que se conheceu apenas através da sua literatura do que relê-la? Bolaño dissera que nunca se acaba de ler, ainda que os livros acabem, tal como nunca se acaba de viver, ainda que a morte seja um facto certo. Bolaño dissera que queria um enterro ao qual pudesse chegar pelos seus próprios pés ou, em alternativa, uma cerimónia viquingue: o morto, o seu filho e os seus amigos fantasmas, mais ninguém. Lá estarei eu, então, entre tantos amigos fantasmas, quando as suas cinzas forem espalhadas no mar pelo seu filho Lautaro.
Para mim, digo, ou talvez o tenha dito Bolaño numa entrevista qualquer, é difícil responder à pergunta acerca da razão pela qual escrevo um livro. Certamente porque é aquilo que sei fazer melhor. Certamente, Roberto.»

 

Um excerto de O Anjo Literário, de Eduardo Halfon (Cavalo de Ferro 2008, trad. de Sofia Castro Rodrigues e Virgílio Tenreiro Viseu), publicado no Bibliotecário de Babel. A imagem é a fotografia que ilustra a edição original (Alfaguara, 2004) do livro de Halfon.


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por 2666 às 00:51
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Porque hay muchas cosas por leer. Y la vida no es tan breve como se piensa. por 2666

Roberto Bolaño responde à pergunta sobre o que expressão pretende deixar no rosto dos leitores que terminam um livro seu. «Bom, essa é uma boa pergunta. Há duas respostas. Primeira: cada leitor é dono do seu próprio rosto e eu não tenho nada a ver com o estado em que fica esse rosto.» A segunda, pode ouvi-la pela voz do próprio Bolaño aqui
 


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Terça-feira, 1 de Setembro de 2009
Publicar 2666 em Portugal por 2666

 

 

 

À agência Lusa, Francisco José Viegas, editor da Quetzal, explicou que “2666” é “um romance grandioso, maior do que o Ulysses [de James Joyce], uma espécie de narrativa de Borges em ponto grande, que junta literatura e violência de uma forma inédita, ininterrupta, ultrapassando o puro fantástico da literatura latino-americana”.

 

Da peça do Público sobre a publicação de 2666 assinada por Maria José Oliveira e ilustrada por um desenho de Tomás Leal Elguede/Creative Commons.



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por 2666 às 23:58
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Roberto Bolaño por 2666

 

 

 

Roberto Bolaño nasceu em 1953, em Santiago do Chile, filho de pai camionista e de mãe professora. A sua infância foi vivida em várias cidades chilenas (Valparaíso, Quilpué, Viña del Mar ou Cauquenes) e a passagem pela escola atormentada pela dislexia. Aos quinze anos a família mudou-se para a Cidade do México. Durante a adolescência leu vorazmente, escreveu poesia - e abandonou os estudos para regressar ao Chile poucos dias antes do golpe que depôs Salvador Allende. Ligado a um grupo trotsquista, foi preso pelos militares e libertado algum tempo depois. De volta ao México, fundou com amigos o Infrarrealismo, um movimento literário punk-surrealista, que consistia na «provocação e no apelo às armas» contra o establishment das letras latino-americanas e suas figuras de proa, de Octavio Paz a García Márquez. Nos anos setenta, Bolaño vagabundeou pela Europa - lavou pratos em restaurantes, trabalhou nas vindimas ou como guarda-nocturno de parques de campismo -, após o que se instalou em Espanha, na Costa Brava, com a mulher e os dois filhos. Aí, dedicou os últimos dez anos da sua vida à escrita. Fê-lo febrilmente, com urgência, até à morte (em Barcelona, em Julho de 2003), aos cinquenta anos.

 

A sua herança literária é de uma grandeza ímpar, sendo considerado o mais importante escritor latino-americano da sua geração - e da actualidade. Entre outros prémios, como o Rómulo Gallegos ou o Herralde, Roberto Bolaño já não pôde receber o prestigiado National Book Critics Circle Award, o da Fundación Lara, o Salambó, o Ciudad de Barcelona, o Santiago de Chile ou o Altazor, atribuídos a 2666, unanimemente considerado o maior fenómeno literário da última década.


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por 2666 às 23:45
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... por 2666

 

 

O que liga quatro germanistas europeus (unidos pela paixão física e pela paixão intelectual pela obra de Benno von Archimboldi) ao repórter afro-americano Oscar Fate, que viaja até ao México para fazer a cobertura de um combate de boxe? O que liga este último a Amalfitano, um professor de filosofia, melancólico e meio louco, que se instala com a filha, Rosa, na cidade fronteiriça de Santa Teresa? O que liga o forasteiro chileno à série de homicídios de contornos macabros que vitimam centenas de mulheres no deserto de Sonora? E o que liga Benno von Archimboldi, o secreto e misterio­so escritor alemão do pós-guerra, a essas mulheres barbaramente violadas e assassinadas? 2666.

 

Para se ler sem rede - como num sonho em que percorremos um caminho que nos poderá levar a todos os lugares possíveis.


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por 2666 às 23:34
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