A morte é um estado fácil de atingir na medida em que para morrer, vocês sabem. No entanto, é usual e compreensível entendê-la como um castigo penoso para o seu alvo e, não menos, para os que com ele convivem. A morte chega, egoísta, para pôr fim à vida e levar com ela o corpo, a voz e o cheiro do indivíduo cuja hora marcou. Não seria, então, fácil de compreender este sujeito como o prémio final, o cair do pano e consequentes aplausos, como a coroa da glória ou o erguer do troféu antes de ler Bolaño. Há em Bolaño um odor póstumo, fúnebre que indicia a cada frase um final iminente e, perdoe-me se me engano, desejado. Há na obra de Bolaño, que se confunde com a sua vida, um caminho cuidadoso para o fim e onde 2666 assume o papel de última morada. Acredito, aliás, que se a insuficiência hepática do chileno não se tivesse feito prever, Bolaño terminaria com um tiro nos cornos, como Hemingway, ou com uma corda ao pescoço, como David Foster Wallace. Se primasse pela saúde, Bolaño não sobreviria pelo simples facto de que o obrigariam a escolher entre a sua vida e a sua obra.


No que me diz respeito, se o hedonismo do autor o levasse a optar pela vida, matá-lo ia eu. Com uma faca no peito, ou na barriga, não sei bem. Talvez na barriga e subindo-a ao peito, para doer e ser trágico, para se poder contar. Depois de ler Bolaño, também nós, enquanto leitores, escritores, columbófilos ou padeiros, morremos. Morremos e voltamos à vida com uma amplitude de cinzentos alargada e com uma pistola na primeira gaveta da mesa do escritório. Há um momento na vida em que todo o homem se encontra a um final decente de ser grande. Fechei 2666 com a certeza que Bolaño terminou, rumo à glória eterna, na última palavra do livro.

 

Duarte Duval leu 2666 e enviou-nos este texto, que em reposta ao nosso pedido.


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Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Contem-nos como é ler Roberto Bolaño. O próximo Ler no Chiado é sobre livros fenómeno.

 

 


 


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Sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Segundo Carolina Lopéz, a viúva de Roberto Bolaño, é no romance inédito e incompleto  Los Sinsabores del Verdadero Policia que se encontram as origens ou o núcleo do  universo literário do escritor chileno. Trazido a público pelo agente Andrew Wylie na Feira do Livro de Frankfurt Los Sinsabores é descrito por Carolina Lopéz como um projecto em que o autor trabalhou durante 13 anos que «dá aos leitores a ideia da sua singular espontaneidade e de como desfrutava da liberdade quando escrevia».  A notícia é dada por Isabel Coutinho e pode ser lida aqui, numa peça sobre as novidades da Feira de Frankfurt.


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por 2666 às 22:47
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Quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

«2666 é um murro no estômago, um verdadeiro incêndio literário, como há muito tempo não se via nas livrarias de todo o mundo. Especialmente num século como o nosso, obcecado pela juventude eterna, pelo sucesso, pelo dinheiro fácil, pela fama, pela beleza física, pelos 15 minutos de fama. Num século XXI asfixiado pelo êxito fácil e pela literatura light, só um escritor com muita coragem poderia escrever algo que, à partida, parecia “invendável”.»

 

2666 foi o livro recomendado pela Biblioteca Mira Fernandes no blogue Biblioteca Porta Aberta.

 



por 2666 às 18:14
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Terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Bolaño, Larsson, Dan Brown, Meyer escreveram livros que são fenómenos de popularidade e provocam adição em que em os lê. No próximo encontro Ler no Chiado vai debater-se sobre estes autores e os seus leitores. 

 
Com José Afonso Furtado (que devorou a saga do Larsson e tem um conhecimento próximo do funcionamento dos mercados editoriais); Paulo Ferreira (dos Booktailors, os principais consultores editoriais portugueses e um dos blogues literários mais lidos); José Campos de Carvalho (paginador quer da saga Millennium, quer do Bolaño, e leitor atento dos dois fenómenos).
 
Contamos também com o testemunho de leitores compulsivos destes livros que milhões de pessoas devoram. Testemunhos deixados nos sites e redes sociais das editoras nas últimas semanas, e também ao vivo, na livraria.
 
Uma iniciativa da Revista Ler e da Bertrand, no dia 5 de Novembro, às 18.30, na loja do Chiado.
Moderação de Anabela Mota Ribeiro.
 

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Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

 

«O agente mais temido do mundo editorial, Andrew Wylie, trouxe mais uma vez para a Feira de Frankfurt um inédito do escritor chileno Roberto Bolaño. Depois de no ano passado a sua agência ter estado na feira a negociar o inéditoThe Third Reich, que começará a ser publicado a partir de Janeiro do próximo ano e será editado pela Quetzal em Portugal, desta vez o agente norte-americano tratado no meio pela alcunha de "O Chacal" trouxe Los Sinsabores del Verdadero Policia, um romance inédito e incompleto. No catálogo da The Wylie Agency lê-se uma descrição desta obra feita pela viúva do escritor, Carolina López: "Mais do que um romance, isto é uma das origens ou o núcleo do universo literário de Roberto. É o projecto em que ele trabalhou durante 13 anos. Dá aos leitores a ideia da sua singular espontaneidade e de como desfrutava da liberdade quando escrevia."


Bolaño começou a escrevê-lo no início dos anos 90 e continuou a fazê-lo durante 13 anos enquanto ia terminando os seus dois romances mais importantes,Os Detectives Selvagens(ed. Teorema) e2666 (Quetzal). Antes de morrer organizou todo este material em pastas e esteve a organizar todos os fragmentos e a dar-lhes coerência. Apesar de não ter conseguido terminar este trabalho de edição, deixou uma lista dos capítulos e descrições exaustivas dos personagens. "O que emerge deste material é uma narrativa poderosa, simbólica, hipnótica, tremendamente negra e ao mesmo tempo hilariante, a imagem de marca de Bolaño", explica-se no catálogo desta famosa agência literária. Francisco José Viegas disse ao P2 que irá publicar este livro. O editor, que esteve em Frankfurt, está muito contente com as vendas de 2666 em Portugal, cuja tiragem já vai em 23 mil exemplares.»


Do texto de Isabel Coutinho, em Frankfurt para o Ipsílon.



por 2666 às 17:33
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«A leitura dos textos de Bolaño me causam uma certa melancolia. O prazer estético supera a melancolia, mas tenho que ser sincera e assumir a tristeza que me toma. Por vezes, sinto que ele traz a completa falta de sentido da vida e coloca isto na frente do leitor. O que importa, porém, o que sinto? A leitora abandona os sentimentos para colocar a mirada na literatura, só que Roberto Bolaño é tão estupendo que a manobra fica difícil.»

 

Do outro lado do Atlântico, escreve Gerana Damulakis, uma leitora crítica de Roberto Bolaño.



por 2666 às 16:44
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Terça-feira, 13 de Outubro de 2009

«Na última entrevista antes da sua morte (à Playboy mexicana) Bolaño foi submetido a dois desafios curiosos. Quando lhe pediram para descrever a sua ideia de Paraíso, respondeu: "Veneza um lugar cheio de homens e mulheres italianas. Um lugar gasto, deterioriado, que sabe que nada perdura, nem mesmo o Paraíso,e que no final de contas, isso não assim tão importante." E quando lhe perguntam qual a sua ideia de Inferno: "Juárez, a nossa maldição e o nosso espelho, a reflexão inquieta das nossas frustações, da noss infame interpretação da liberdade dos nossos desejos".»  

 

Em cinco partes, como 2666, Rogério Casanova disseca o monumento literário de Roberto Bolaño.A parte da ambição; a parte da continuidade; a parte das coisas que acontecem; a parte do que tudo isto significa; a parte do resultado final. Todas as partes entre as páginas 42 e 48 da revista Ler.

 

Veneza.

 

 Juarez.



por 2666 às 18:39
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1966 e 2666 por 2666

Na crónica de Eduardo Pitta: «Foi você que pediu um Bolaño?»: no seguimento do seu post sobre a capacidade e tempo de leitura de grandes livros, Eduardo Pitta dedica a sua crónica a 2666: e diz «Cada época impõe os seus protocolos. Em 1966 era proibido não ver Blow-Up, de Antonioni. Hoje é um opóbrio não ter lido 2666 de Roberto Bolaño».

 





Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

 

 

 

 

 

 

 

São os do Inimigo Público, edição de dia 9 de Outubro. Uma página inteira dedicad a 2666, de Roberto Bolaño.



por 2666 às 11:22
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Sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

 

 

«Foi após a sua morte que se estabeleceu a constelação Roberto Bolaño, depois de 10 frenéticos anos a escrever, como se o tempo estivesse a acabar. E ele pressentia que estava. Mas era irremediável que a sua escrita fosse iluminada: ela revelava uma capacidade única de criar vozes muito singulares e muito poderosas, muitas vezes com uma complexidade enorme.» 

 

Fernando Sobral, no Jornal de Negócios, hoje.



por 2666 às 17:56
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Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

A Casa da América Latina e a Quetzal Editores organizam um Clube de Leitura dedicados a títulos latino-americanos. A abrir, já no dia 12 pelas 18h30, 2666 de Roberto Bolaño, José Mário Silva. Mais informações aqui e aqui.



por 2666 às 15:11
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A certeza porém foi que nem Pelletier nem Espinoza visitaram Norton no seu quarto nem uma única vez, pelo contrário,o quarto que Espinoza visitou, uma vez, foi o de Pelletier, e o quarto que Pelletier visitou, duas vezes, foi o de Espinoza, entusiasmados como crianças perante a notícia que se espalhava mais depressa do que um rastilho de pólvora, do que uma bomba atómica, pelos corredores e pelas reuniões em petitcomitédas jornadas, ou seja, que Archimboldi era candidato ao Nobel naquele ano, uma coisa que para os archimboldistas de todos os lados era não só um motivo de imensa alegria como também um triunfo e uma vingança. A tal ponto que foi em Salzburgo, precisamente, na Cervejaria O Touro Vermelho, durante uma noite cheia de brindes, que se assinou a paz entre os dois grupos principais de estudiosos archimboldianos, isto é, entre a facção de Pelletier e Espinoza e a facção de Borchmeyer, Pohl e Schwarz, que a partir de então decidiram, respeitando as suas diferenças e os seus métodos de interpretação, juntar esforços e não voltarem a passar rasteiras uns aos outros, o que expresso em termos práticos queria dizer que Pelletier já não vetaria os ensaios de Schwartz nas revistas onde ele mantinha um certo ascendente, e Schwartz já não vetaria os trabalhos de Pelletier nas publicações onde ele, Schwartz, era considerado um deus.

 


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por 2666 às 13:05
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Terça-feira, 6 de Outubro de 2009
Leitores por 2666

 

ESTOU_Ler-1

 

 

Gustavo C., do Sétima Sinfonia.

Salamandrine, do vortex.

Sara Figueiredo Costa, do Cadeirão Voltaire.

João Gomes de Almeida, de O amor nos tempos da blogosfera. 

 


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Bolaño pop por 2666

Ilustração de Pedro Vieira.

 

 

 

«Tudo o que vira moda, sai de moda.» Mesmo sem a tradução de 2666 no Brasil, a popularidade crescente de Roberto Bolaño gera desconfianças. Ainda assim, Antônio Xerxenesky não desiste de dedicar ao escritor chileno o seu trabalho final na faculdade.



por 2666 às 01:38
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Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

A revista 60 Watts publica um conto inédito de Roberto Bolaño, datado de 1982 e entregue para um concurso de contos em 1983,o I Prémio Alfambra de Cuentos

 

A este propósito pode ler-se no Jornal de Notícias, sobre a relação de Roberto Bolaño com o escritor argentino Antonio di Benedetto:

 

 

«Graças a ter-se candidatado ao Prémio Alfambra com o conto "El Contorno del Ojo" - como conta o próprio Zuñiga em http://60watts.net>, Bolaño conheceu o escritor argentino Antonio di Benedetto (1922-1986), que venceu o segundo prémio do concurso e com quem o autor de "2666" iniciou então uma relação de amizade por correspondência.

 

Partindo da história real do jovem escritor que merece uma menção honrosa num prémio literário e descobre que entre os vencedores está um autor que admira, Bolaño escreveu depois outro conto, "Sensini", que faz parte do livro "Llamadas Telefónicas".

 

"El Contorno del Ojo", que tem como subtítulo "Diário do oficial chinês Chen Huo Deng, 1980", é, portanto, "a história por detrás da história" de "Sensini", que é o nome ficcional que Bolaño deu a Di Benedetto, autor de "Zama", entre outras obras.

 

Em "Sensini", o personagem homónimo que representa Di Benedetto considera de "primeira ordem" o conto do seu novo amigo e insta-o a não abandonar os concursos literários.

 

Hoje, não há dúvidas de que Bolaño persistiu, mas quando Di Benedetto morreu, em 1986, o chileno era ainda um desconhecido, sem imaginar a universalidade que recentemente a sua obra alcançou, ou que seria considerado, ainda que após a morte, o escritor que renovou a literatura latino-americana .»


 



por 2666 às 01:30
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Quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

Este blogue já devia ter lincado devidamente Eduarda Sousa, do absurdo, que começou a ler 2666 pouco antes do anúncio da publicação da edição portuguesa (Quetzal), e que dedica um post  à popularidade de Roberto Bolaño, onde chama ao autor Kurt Cubain e aponta para uma reportagem do La Nación:

 

«Numa altura em que a bolañomia chegou a Portugal, é importante guardar alguma distância, tentando perceber como é que surgiu esta súbita consagração do autor de 2666. O La Nación apresenta uma reportagem interessante, onde dá voz a Sarah Pollack, uma professora universitária que escreveu um ensaio sobre a construção do mito Bolaño nos Estados Unidos.»

 

 

bolano_27



por 2666 às 01:13
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Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

A propósito do Senhor Palomar, no blogue How.Now fala-se da edição portuguesa de 2666.


 

You might not know, but Portugal has been going crazy lately because 2666 was recently published in the tongue for the first time. They even threw a festa/dança for the lançamento of the book in portuguese, which I thought was kinda fun. Why don’t we have a dance party every time a new translation of Murakami comes out?



por 2666 às 17:49
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Ler 2666 por 2666

Paulo Alves, do blogue Olhos Fechados, esteve no lançamento de 2666, trouxe um livro e promete manter aqui um registo da sua leitura. 

 


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por 2666 às 16:41
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Terça-feira, 29 de Setembro de 2009
Excertos por 2666

 

Ilustrado com esta imagem, um excerto de «A Parte de Amalfitano» publicado blogue Leitores SOS Murça.


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por 2666 às 17:19
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Leitores por 2666

Dora Santos Silva, culturascópio.


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Há um post sobre todo o fim-de-semana que passou, de Bruno Vieira Amaral. Começa com a descrição do tenebroso evento e dedica algumas palavras (as suficientes) ao que deve fazer o verdadeiro escritor - deve deixar tudo na arca ou, no máximo, pendurar as folhas A4 no estendal, sujeitas ao teste do tempo e do Tempo - e ao que é permitido ao editor: admitindo a existência de tão negra figura, ser-lhe-á concedido o privilégio de passar as molas ao génio.

 

Bruno Vieira Amaral publicou na edição de sábado do jornal i, um texto crítico sobre 2666. Uma versão um pouco maior pode ser ser lida no blogue.



por 2666 às 10:43
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Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
2666 em Braga por 2666

Na livraria Capítulos Soltos.


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Do contra. por 2666

Três textos de três resistentes ao entusiasmo que se gerou em torno da publicação de 2666: Eurico de Barros, no Diário de Notícias, João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos, e Ana de Amsterdam. Comentários aos dois primeiros por José Mário Silva, Francisco José Viegas e Senhor Palomar.



por 2666 às 15:51
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No Bibliotecário de Babel (que promete não voltar a falar tão cedo de 2666), nos comentários desse mesmo post, no Sushileblon, no irmaolucia, no ciberescritas.

 



por 2666 às 11:15
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Sábado, 26 de Setembro de 2009

Francisco José Viegas.

 

António Pedro Vasconcelos.

 

Carla Bolito.

 

José Eduardo Agualusa.

 

José Mário Silva.

Soraia Chaves.

 

Carlos Vaz Marques.

 

 

 

 



por 2666 às 23:54
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Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

O lançamento da edição portuguesa de 2666, de Roberto Bolaño, começa já daqui a nada, na Ler Devagar | Lx Factory, em Lisboa. Vai ser uma festa - uma festa em torno de um livro que uniu milhões de leitores em todo o mundo. Nunca é demais dizer que todos os leitores estão convidados.

 





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«Um livro contra o esquecimento que, nas suas qualidades e nas suas imperfeições, é uma profissão de fé no poder da literatura.» Bruno Vieira Amaral
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